
Alto de la Ballena é uma pequena vinícola com 8 hectáres de vinhedo, ubicada a pouco menos de 15 km. de Punta Ballena, local de Casapueblo, a criação de Carlos Páez Vilaró, no departamento de Maldonado e bem perto de Punta del Este. Alí fomos recebidos por Paula Pivel e Álvaro Lorenzo, que relatam com entusiasmo os progressos de seu empreendimento.
Depois de uma longa busca nos departamentos de Maldonado e Rocha, Paula e Álvaro decidiram-se por esta área nas costas da Sierra de la Ballena. Desde o vinhedo mais alto, a 112 metros acima do nível do mar, enche os olhos a vista da ampla Laguna del Sauce, com o morro Pão de Açúcar no fundo.
Preparar a terra não foi tarefa simples, montanhas de pedras tiveram de ser removidas, e algumas parcelas foram niveladas com força de bulldozer.
Paula enumera as qualidades de seu entranhável terroir: o solo pedregoso e areento da serra, a vizinhança do mar trazendo a dose exata de umidade, e o vento suave garantindo o arejamento. Pascal Barbot, o enólogo e chef de L'Astrance, durante sua visita à Altos de la Ballena há algumos anos, falou das semelhanças deste verdadeiro terroir com a região francesa do Loire, perto do Atlántico.
As primeiras vinhs foram plantadas entre os anos 2000 e 2001, e os primeiros cachos colhidos em 2005. O alvo era preciso: uma pequena produção de vinhos de grande qualidade.
Trilogia de enologistas
p>Paula Pivel estudava enologia assim que as videiras iam trepando pelas espaldeiras, agora comparte a responsabilidade sobre os produtos com Carla Fallabrino, quem teve a oportunidade de se aperfeiçoar na Califórnia, e com Duncan Killiner, quem contribui como consultor pela vasta experiência trazida da Nova Zelândia, e possui na bagagem muitos anos percorrendo as vinícolas da Argentina e especialmente algumas do Uruguai.
Uvas e vinhos
Sao quatro as tintas que por enquanto crescem em Alto de la Ballena: tannat, merlot, cabernet franc e syrah. Álvaro descreve com entusiasmo as bondades da uva merlot: é a variedade que melhor se adaptou às condições climáticas e a que trouxe maiores satisfações na hora dos vinhos, acaso pela semelhança das suas terras com aquelas de Burdeos, na França. A variedade viogner nas brancas foi escolhida por conta das mesmas razões. Por isso em um de seus vinhos de corte possui uma função essencial : é no tannat-viognier onde corpo e cor vêm da uva tinta, e o viognier após de um tempo em carvalho, lhe cede o aroma e sabor preciso para sua perfeita terminação.
Justamente foi esse assemblage de 85% tannat e 15% viognier que chamou a atenção do jornalista argentino Fernando Vidal Buzzi no último VII Salão do Vinho Fino desenvolvido em Janeiro no Hotel Conrad de Punta del Este. Vidal Buzzi falou do Alto de la Ballena Reserva 2007 como "inusual e inesperado" e elogiou o "efeito 'benéfico' do viognier sobre o tannat" acrescentando que como resultado "ficou um vinho amável, agradável, fácil de beber e inesperadamente apto tanto para acompanhar pasta com manteiga, um filé com patatas fritas ou uma paella marinha".
O trivarietal também apresenta outra combinação bem atingida: 40% merlot (do qual a metade passou por carvalho), 30% tannat e 30% cabernet franc.
Da segunda safra sairam à luz dois vinhos reserva para ressaltar: o merlot 2006 e o tannat 2007.
Orgulhoso, Álvaro cheia o copo com merlot: um vermelho intenso e 16 meses em barrica de carvalho para alcançar o ponto justo de madeira desejado.
A vinícola apresenta na sua linha até agora mais dois vinhos: um branco 100% viognier y um rosé bivarietal de cabernet franc e tannat, aromático e seco. Próximamente estará disponível também um bivarietal syrah-cabernet franc.
Com a safra 2008, Alto de la Ballena fez a estréia da sua própria vinícola com equipamento importado da Itália, cuja capacidade lhe permitirá processar a produção total, que é de 40.000 litros.
Os vinhos Alto de la Ballena, que até agora só eram vendidos em lojas de vinho e podíam se encontrar no cardápio de seletos restaurantes do Leste, afirmam seus passos no mercado interno: já possuim um espaço nas prateleiras da Tienda Inglesa. Além disso, sairam pela primeira vez ao exterior, desde finais de 2008 já estao em México e no Brasil.
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