
Como é que você passou de jogador a empresário?
No meu último ano como jogador esteve no Brasil, no time Juventude de Caxias do Sul, do Estado do Rio Grande do Sul, aí obteve a carteira de identidade, eu já tinha contatos no nível do futebol, eu abri a empresa, e tendo a empresa no Brasil e vários contatos, abriram-se várias portas e comecei a desenvolver os negócios com algumas empresas no Uruguai.
Como surgiu a idéia de criar uma empresa em Porto Alegre?
No começo foi apenas a abertura e em seguida veio tudo o resto, juntei as duas pontas, os contatos que já tinha no Uruguai, com novos contatos que surgiram no Brasil, e com meu parceiro formamos a empresa que temos agora.
Comersur fez o primeiro aniversário em maio. Qual é o balanço deste primeiro ano de trabalho em Porto Alegre?
Sim, fizemos um ano, e o saldo é positivo, é custoso e difícil criar uma empresa no Brasil, traz muitas dificuldades, muitas pessoas são desencorajadas da criação de empresas pelas restrições e controles impostos, que são muito rigorosos. Então é realmente uma grande conquista ter instalado a empresa e poder permanecer no mercado. Para nós, o aspecto mais positivo do balanço é termos mantido durante todo esse tempo com um bom nível comercial.
Uma das declarações que definem a Comersur é "aumentar os volumes de vendas e margens de lucro." Como é que este conceito se aplica para o exportador uruguaio?
Nós vamos de mãos dadas com o volume, a nossa empresa cresce a partir do volume. Quando podamo-nos expandir mais no sul do Brasil, vão aumentar os lucros. No início a gente tem que reinvestir uma percentagem significativa dos lucros para promoção e publicidade dos produtos. Portanto, assim que o volume de vendas vai crescendo, os lucros irão aumentar.
Vocês escolheram uma linha de produtos comestíveis muito representativos do Uruguai: Monte Cudine, Ambrosoli, Lapataia. Por que vocês decidiram incorporar o vinho?
Principalmente, a característica da nossa empresa é que seu nome está associado com produtos de qualidade superior ou premium, como se diz no Brasil, e vamos manter essa linha. Cada vez que incorporamos um novo produto fazemos uma análise rigorosa da qualidade dos produtos e do perfil do cliente que será o consumidor deles. Nós tentamos ficar dentro dessa linha, privilegiando a qualidade dos produtos que vendemos.

Como começou a relação com Antigua Bodega Stagnari? Quais vinhos desta vinícola vão comercializar?
Nos últimos tempos surgiu no Brasil um público muito afim com os vinhos uruguaios, basicamente, da variedade Tannat, e então tivemos a idéia de comercializar vinhos uruguaios, que têm uma aceitação muito boa, principalmente no sul do Brasil. A partir deste ponto, começamos a análise das vinícolas possíveis com quem trabalhar, e assim chegamos à Antigua Bodega Stagnari, cujos vinhos são premium, e que encaixam perfeito no perfil que nossa empresa deseja representar. Estamos levando três linhas: Osiris, Ragazza e Cantharus, com uma excelente aceitação inicial dos nossos clientes.
Quem é o consumidor de vinhos uruguaios no Brasil?
Nós trabalhamos muito com a gastronomia, com restaurantes onde se vende churrasco, porque o vinho Tannat está intimamente ligado com o consumo de carne, é um vinho que se vende muito bem no sul do Brasil, onde se come churrasco e pratos mais fortes, também o clima ajuda muito para o consumo do tipo de vinhos produzidos em nosso país.
O consumidor agrega valor ao vinho uruguaio em comparação com o bom vinho de seu próprio país?
Sim, o público gosta, nota uma diferença importante. Isso é o que nós estamos transmitindo aos nossos clientes, especialmente aqueles que vendem produtos importados. Há lojas dedicadas exclusivamente à venda de produtos importados que fazem vendas muito boas de vinhos uruguaios em geral.
Vocês têm planejado expandir para outras cidades?
No momento trabalhamos apenas no Estado do Rio Grande do Sul, que é o acordo comercial que temos com a vinícola, queremos fortalecer a marca e torná-lo um vinho reconhecido dentro deste Estado, para depois apresentar para a vinícola uma expansão da região de vendas.
Comersur vai participar em alguma feira no Brasil proximamente?
Em breve iremos participar na Expointer, uma feira muito importante que se realizará entre os dias 28 de agosto e 5 de setembro na cidade de Esteio, onde com certeza os vinhos estarão presentes.
Finalmente, falando em termos de futebol, como você pode expressar o futuro da aliança entre Comersur e Antigua Bodega Stagnari?
Acredito que vamos dar a volta a volta olímpica do campeonato. Vai ser um sucesso.
Na terça-feira, a equipe de Uruguai tem o último jogo do seu grupo. Qual é seu palpite?
Tenho muita fé no time uruguaio. Uruguai começou bem, com um resultado muito bom. Contra a África do Sul mostrou que melhorou muito e ganhou com facilidade, estávamos acima do nível dos sul-africanos. Segundo sejam os outros resultados, com um empate estamos classificados... Vamos ver o que vem depois.
