
Como tem sido este ano com os novos produtos?
Foi bom. Em Janeiro, lançamos o Sauvignon Blanc Reserva, e tem funcionado muito bem, embora seja um produto mais caro, de outro nível. Enviamos para a América, será um dos vinhos que irão para Buenos Aires, também o enviamos para a República Checa. Nós não sabíamos o que aconteceria, sendo que é consideravelmente mais caro do que o Sauvignon Blanc normal, mas as pessoas que sabem de vinhos brancos aceitaram e apreciaram muito bem. Agora no verão, a temporada dos vinhos brancos, vai vender muito bem. Também fizemos um bom rótulo, boa apresentação. Isso funcionou.
E o espumante também?
Também. É um produto que a maioria considera sazonal, mas nós vendemos o ano inteiro, com um aumento significativo em Dezembro para as festas. Além disso, nós vendemos-lo fresco. Ao longo do ano nós fazemos dégorgement e engarrafado fresco, pois o champanhe é bom que tenha pouco tempo após o dégorgement, depois disso deixa de melhorar. constante melhoria. Quando se extraem os sedimentos o espumante começa a decair, por isso é sempre bom ter espumantes frescos. Nós fazemos séries de 1000 ou 1500 garrafas, as vendemos e vamos renovando.
Quais são os pontos de venda?
Continuamos mantendo os mesmos: restaurantes, hotéis e lojas de vinho. Grand Cru tem desde Outubro a distribuição em Punta del Este. É um mercado forte onde há cinco anos que estamos, e é um público que realmente me interessa muito porque consome produtos de boa qualidade. E de lá para o norte: José Ignacio, La Paloma, Rocha. Sempre restaurantes, hotéis e lojas de bebidas. Em Montevidéu também, só que agora fazemos com a ajuda de um vendedor.
Qual a quantidade de vinho exportado, e quanto permanece no país?
Até novembro de 2008, a exportação era de 60%, e 40% ficava no mercado doméstico, mas com o tema da crise, o dólar desvalorizou, meus clientes no exterior reduziram suas compras e então foi um ano muito difícil para a exportação. Desceu muito. Agora está começando a se mover novamente, mas os preços não são nada animadores. Nos outros mercados é muito difícil modificar os preços, você pode mudar algum preço, mas não uma lista completa. E todo mundo pede vinhos mais baratos pela crise. Como as vendas caem, acabam restringindo suas compras. Mas o cliente deve ser mantido, você não pode vender quando é favorável para você e não fazé-lo quando não é favorável para você. Hoje, os preços de venda no exterior não são muito encorajadores, mas eles vão ir recuperando ao longo do ano. Em 2009, estamos talvez mais no mercado nacional do que no mercado externo.
E o Brasil?
O Brasil cresce, está melhorando cada dia. É muito forte, embora o problema lá é sempre o mesmo. O vinho uruguaio está em terceiro lugar. Primeiro é o vinho chileno e, em seguida, o vinho argentino; depois vem o vinho uruguaio. Acho que lá devemos trabalhar mais na difusão do vinho. Este ano, quando saiu o artigo em O Globo sobre o vinho tannat , as vendas dispararam e nós quebramos todos os estoques de tannat. Nossos importadores ficaram sem produto. Foi ótimo para nós.
Wines of Uruguay tem planos para isso?
A WOU agora tem um projeto muito ambicioso. Depois de tanto tempo a trabalhar sobre isso é uma grande satisfação ver que estamos integrados todos juntso e apontando para o mesmo lugar. Hoje estamos todos a trabalhar na mesma, com a orientação do novo gerente Gustavo Magariños, uma pessoa de grande capacidade, muito calmo e seguro em sua forma de trabalhar. Tem clareza no longo prazo ... Antes, a gente reunia-se uma vez por semana, exprimíamos todas as idéias e nenhuma era realizada, ficavam aí sobre a mesa. Agora, Gustavo faz elas tomar forma com bom critério. Dias atrás ele introduziu o projeto Brasil e ficamos muito entusiasmados porque era o que precisávamos. Estamos trabalhando em comissões: Europa, América e Brasil. Aqueles que não integramos as comissões vamos a cada 15 dias e não vamos discutir, vamos ouvir o que vai ser apresentado, nós podemos agregar algumas coisas, mas tudo resolve rapidamente. Será muito positivo para o nosso trabalho.
Aliás, eu estive no Brasil há pouco tempo, fazendo apresentações de meus produtos em restaurantes de Porto Alegre, onde Grand Cru abriu uma loja, e depois fui para Camboriú. Fiquei impressionado com o que Brasil está crescendo. Eles têm um poder enorme, e convertiram-se um mercado estável, eles não têm as ondas econômicas que tinham antes.
O público também fez uma mudança, estão tornando-se um país consumidor de vinhos...
O consumidor de vinho é do nível médio-alto, empresários, pessoas de negócios, em todos os almoços de trabalho bebem vinho. Mesmo as empresas estão enviando seus executivos para aprender sobre o vinho, porque os executivos em almoços de negócios têm de provar que sabem escolher um vinho, bater papo de vinho. Isso também posiciona-los no primeiro nível. É uma cultura que está mudando, nós, ou os argentinos e chilenos vimos de uma tradição onde o vinho estava sobre a mesa todos os dias. Era natural. No Brasil está começando a desenvolver a cultura do vinho com grande força.
Qual é a relação da vinícola Pizzorno com Grand Cru?
Começamos a trabalhar com eles em 2008: no Brasil e no México. Gostamos da maneira de trabalhar. Depois, nos inícios deste ano agregamos Punta del Este, com sucesso. A novidade é que através deles agora levamos nossos vinhos para Buenos Aires. É um lugar muito difícil, pois os argentinos gostam de seus vinhos, que são ótimos. Mesmo quando eles vêm para Punta del Este bebem seus vinhos. Nós tivemos coragem de participar este ano na Vinartes em Buenos Aires, graças a Marina Beltrame e à Escuela Argentina de Sommeliers. Vinartes foi organizada de uma forma muito agradável, por variedade de uva. O público que aproximava para provar o vinho era recebido por estudantes e profissionais da Ecola que lhe davam uma abordagem diferente do que estamos acostumados aqui, onde o público aproxima ao stand e assim que vamos vertendo o vinho na taça lançamos o lero-lero... mesmo sem ter provado o vinho, já lhe estamos vendendo. O sommelier explica o vinho de uma maneira diferente, e faz que o consumidor valorize mais objetivamente. Ento, Vinartes foi muito bom. Marina falou muito bem de nossos vinhos. O público gostou. E Grand Cru nos incentivou a levar nossos vinhos para Buenos Aires. Estamos muito contentes, é um grande desafio. Às vezes recebemos pedidos da Argentina através do nosso site, sobre onde comprar uma garrafa de vinho. Agora eu tenho o qué responder: podem comprar em Grand Cru. Estamos muito felizes, é uma empresa muito importante e nós vemos que através deles vamos crescer. Vamos levar toda a linha Pizzorno: O Tannat Reserva, o Sauvignon Blanc Reserva, e um assemblage tinto Tannat-Cabernet-Merlot Reserva.
Qual foi o resultado nos vinhos da colheita 2009?
Com um pouco menos quantidade, mas muito bom. O Sauvignon Blanc 2009 foi lançado em Abril e está à venda desde Julho. É um vinho para beber jovem. O Pinot Noir e o Rosé 2009 também estão engarrafados. Foi uma boa colheita. Não tanto para o Cabernet Sauvignon, mas para os Tannat, Merlot, Pinot Noir, e para o vinho branco. Como em Fevereiro o clima foi ótimo, os vinhos têm grande concentração.
Você continua com a parceria com Duncan Killiner?
Sim. Duncan Killiner é um aporte muito importante para nós. Ele veio em Maio e Julho, e agora em Novembro faz a sua última visita. Ele faz os assemblages, o planejamento da safra. A sua contribuiço é importante para a nossa vinícola, principalmente por sua especialidade em Sauvignon Blanc e Pinot Noir. O nosso enólogo Marcelo Laitano, que há onze anos que trabalha conosco, tem aprendido muito com ele. Duncan é muito exigente e nos obriga a fazer melhor a cada ano.
Viajarão para a Europa no próximo ano?
Estamos planejando o que vamos fazer no próximo ano. Certamente, iremos para a feira em Londres, porque a Inglaterra é um mercado excelente para os nossos vinhos. Vamos organizar atividades durante dois ou três dias em restaurantes de Londres. Também vamos promover os nossos vinhos na Polónia. Em Setembro, é possível uma viagem aos Estados Unidos. Nós somos pequenos, nosso estabelecimento é a nossa família, mas nós continuamos fazendo esse esforço, acho que realmente vale a pena.
